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Livro – Urubu

A escolha de uma profissão realmente nos prepara para tudo? Passar anos estudando nos ajuda a enfrentar todos os desafios relacionados? Para um médico, tratar desconhecidos é rotina, mas e quando a família é envolvida?

Lancei!!! Meu primeiro livro está à venda! Conto com você para ler e divulgar a obra. Não foi fácil romper a barreira da publicação, mas agora quero mais e estou cheio de ideias para escrever. Irei compartilhando o progresso dos outros livros de acordo com a evolução do processo.

Antes de comprar, leia o primeiro capítulo:

Capítulo 1

A boa notícia

Sempre fui muito estudioso e adorava aprender coisas novas. Num belo dia — aos 17, voltando da escola —, não me continha de tanta alegria e meu corpo exalava excitação. Sim, tinha tomado uma decisão que mudaria a minha vida para sempre e queria compartilhar com minha família. Até hoje me lembro do barulho da mochila em minhas costas, pois eu andava dando pulinhos, nunca em linha reta, e meus cadernos, livros, lápis e canetas se reviravam dentro dela, exatamente como os pensamentos em minha cabeça.

Finalmente avistei a fachada de casa, o sol ao fundo iluminando seus contornos. Apesar de simples, nesse dia eu a achei belíssima e confesso que até a visualizei com algumas melhorias/reformas executadas. Respirei fundo e entrei.

Minha primeira visão foi a de meu pai sentado no sofá, como de costume, lendo seu jornal e uma caneca com café fumegante ao seu lado. “Tomei a benção” e ele estendeu a mão para que eu a beijasse. Nossa! É uma tradição bem antiga, né? Algo que está acabando mas que sei que me fará muita falta… enfim, retomando… Ele logo percebeu minha euforia e até quebrou o hábito de sempre me perguntar como foi na escola.

— E aí, filhão, pelo jeito nossa conversa de ontem foi muito boa, hein? Tomou alguma decisão?

Imediatamente sentei ao lado dele e estufei bem o peito, ato que me ajudou a nivelar nossos olhares e a focar diretamente em seus olhos.

 — Tomei sim, papai, decidi que quero ser médico. Quero curar pessoas! — meu coração palpitava tanto que parecia querer sair pela boca.

A reação de meu pai não foi exatamente a que eu esperava.

— Que ótimo, Alberto, é uma bela profissão! — Franziu a testa, fez cara de sério e questionou. — Mas essa escolha não é só por status ou dinheiro, é?

Minha resposta foi rápida, um sonoro “Claro que não, pai!”, seguida por mais ar sendo puxado para o peito e a explicação de que o dinheiro seria legal também, porém o motivo principal era poder ajudar ao próximo. Disse que refleti muito e gostei da ideia.

Ao terminar a explicação, o ar em meus pulmões havia se exaurido mas a sensação era de plenitude e estava certo de ter sido o mais sincero possível com meu pai. O problema é que, naquele momento, obtive somente o acalorado apoio de sempre. Achei que o veria mais feliz, sentimento que ele só externalizou mais adiante, em minha festa de formatura, quando me chamou num cantinho e confessou que nunca percebera tanta certeza e altivez em minha decisão.

Secretamente, meu pai sempre desejou ter um filho médico, tanto é que se esforçou e trabalhou muito para me prover a melhor educação. Nunca pôde pagar uma escola particular, mas fez o máximo para que eu tivesse tudo o que precisasse para estudar. Apesar do esforço, tinha medo de me revelar seu desejo e isso acabar influenciando minhas escolhas, o que poderia me tornar um profissional frustrado. 

A resposta dele, naquele dia, foi um abraço apertado e as seguintes palavras:

— Muito bem, meu filho, só quero que você seja um bom profissional e que continue com essa simplicidade. Siga sempre seu coração. Seja um homem simples…

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